terça-feira, 28 de setembro de 2010

Radiomântica

Meia-vida é o tempo necessário para reduzir à metade tudo o que havia.
Deveras instável, como sempre fui, enxergo paixão em nossa sintonia.
Espontaneamente, encho-me de amor e busco equilíbrio em sua companhia.
O tempo não para e lá se vai metade do meu sentimento que te encantaria.
Dois se torna um, e um se torna meio. Para sempre a quebra se repetiria.
Porque zero não é metade de nada, é eterno o que eu jamais revelaria.
Fui buscar na Química minha poesia. Encontrei o amor que já me conduzia.

Essa lua

Eu não devia dizer
Mas essa lua gorda
Destrava minha boca
Essa lua amarela
Me faz tão tagarela
Essa lua tão linda
Desata o nó da minha língua
E se nós nos casássemos
Amanhã de manhã?

Moleques crescem

- Quando eu era pequeno, a gente ficava na casa da vó num breu assim. Ninguém pensava em ladrão; só queria brincar e correr, subir nas árvores. O maior medo que a gente tinha era de casa de marimbondo. Se a gente via um rio ou um laguinho, ninguém queria saber se era raso ou se era fundo; todo mundo se jogava na água e saía nadando.
- Isso que você disse parece poesia.
- Isso é passado.

Minha mãe

- De noite, eu olhava pro céu e via um monte de estrelas. Achava que minha mãe estava lá. Não sei quem foi que me disse que quando a gente morre vira uma estrela; eu achava que minha mãe era a estrela mais brilhante e ficava olhando pra ela. Deve ter sido meu pai que me disse essa besteira.
- Talvez não seja besteira. Eu ainda não morri pra virar uma estrela, então não sei.
- Se você quer ser estrela, apareça na televisão.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Você é a estátua
Você é o espelho
É a perfeição

Platonicidade

Se você soubesse quanto mal
Você me faz
Você fugiria
Para que meus olhos
Não te vissem mais

Se você decidisse me amar
E ser só meu
Nosso amor seria
O que eu escrevi
E que você não leu

Mas tem coisas que
São boas de verdade
Na mente da gente

Na minha caneta
Nosso amor é puro, constante e ardente.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Ai, ele não me ama mais.

Ah, ele não me ama mais
A minha falta já não faz
Arder seu olhos de chorar

Ele não quer mais me amar

Narciso

Alguém me disse que o amor
É uma forma mascarada de ser narcisista
Sem ser condenada

Eu amo tanto o seu olhar
Quando ele me observa dizendo que você me ama
E sua atenção é minha serva

Amo quando faz sua barba e eu acho que é pra mim
Quando corta o cabelo
E lê meus textos até o fim

Amo o seu caminhar vindo em minha direção
E sua risada gostosa rouba o ar do meu pulmão

Amo encostar no teu peito
E vestir sua calça jeans
Amo o contorno feito pelo perfil de seu nariz

Meu mais querido prazer é estar perdida em seu sorriso

Acho que sou narcisista
Mas você é meu Narciso

Insana

Talvez a minha mente insana
Tenha feito essa fulana
Parecer menos que é
Eu já sei que tu não me ama
E vou embora, então,
Desse lugar
Onde ninguém me quer

domingo, 12 de setembro de 2010

Adeus pra já voltar

Morena, eu vou pegar minhas coisas
Guardar tudo numa mala de couro
Morena, eu vou gravar tua risada
Te filmar fazendo nada
E guardar feito um tesouro
E quando eu estiver bem longe
Nem pergunte onde
Você vai ser o meu choro

Morena, eu poderia até ficar
Mas o meu destino não está perto
Eu quero até sentir saudade
De nossa felicidade
De nosso amor concreto
E quando, na volta, eu te ver sorrindo
Te carrego comigo
Pra um futuro certo

"Ando perdido em mim como em deserto."
Antonio Barbosa Bacelar
 
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