terça-feira, 24 de maio de 2011

Eternamente

Eternamente é ter na mente, e terna mente, éter na mente.
Eternamente é, ternamente, éter na mente e terna mente.

domingo, 8 de maio de 2011

Nematodamor

Eu andando por aí
Perdida em pensamento
Deixei o amor penetrar meu coração
Mas você andou descalço
Eu não sei por onde
A larva entrou no teu pé
E foi pro teu pulmão
Daí foram mililitros de sangue por dia
A fome do bicho não tinha satisfação
Na hora de ir pra faringe, ela errou de caminho
E bebeu foi todo o sangue do seu coração
Então você me maltrata com sua secura
Esse ancilostoma matou a paixão
Hematófago maldito, destruiu nosso romance
Eu não quero um amor feito de amarelão
Cure sua ancilostomose, essa falta de amor
Vá calçar um sapato, tire o pé do chão

terça-feira, 3 de maio de 2011

O feto

A chuva escureceu o dia
São quase 6 e já é noite
Os carros passam, cartazes e propagandas
A janela do carro é uma tela de cinema
Esse rapaz parece um ator. Qual o nome mesmo?
E o que o ator tem além do próprio nome?
Estamos sob o mesmo céu cor de chumbo
Eu escrevo frases tortas no caminho para casa
Você eu não sei
Olhe o céu cor de oito horas
Céu cor de madrugada
E o peso dessas nuvens sobre nós
Quero um amor sinestésico
Não tenho sentimentos
Mas tenho todos os seis sentidos que uma mulher deve ter
A gente diz que gosta de frio
Mas gosta é de se aquecer
Uma chuva, uma curva
E o risco da caneta atravessa minhas letras
Abandono o rascunho, o feto
O meu poema que ninguém vai ler
Eu achei que pudesse suportar tudo. Eu ainda acho. Mas é que às vezes eu queria poder acreditar que nós temos muito em comum e podemos ser felizes. Às vezes eu te amo tanto. Talvez eu precise ler um pouco. Ou escrever. Ou esquecer. Esquecer que me lembro de você o tempo todo e que, quando te vejo, não quero te enxergar. Queria saber explicar isso. Explicar como parece que tudo poderia dar certo. Se eu fosse outra. Se você fosse outro. Então, nada pode dar certo. Não somos outros, somos só nós. E somos sós. Na verdade, não sei se você é tão solitário quanto eu. Não, você não é. E nem deveria ser. Talvez se você fosse... Talvez você não seja mesmo quem eu achava que era. É, você não é. Acho que não sei nem quem eu sou. Sei que eu não sou uma metade. Dois pode ser melhor do que um, mas um me parece suficiente na maior parte do tempo. Todos dizem que o amor uma hora chega, que o amor precisa do momento certo, todos sabem demais sobre amor. Não quero ser todos. Não sei se ser tão diferente é bom, mas sei que não quero ser igual. Talvez eu não devesse falar tanto, ou me preocupar tanto. Acho que eu deveria falar tudo isso pra você. Mas você não vai entender e eu não quero explicar. Vamos deixar isso pra lá.
 
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