sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Rapaz da casa ao lado,

Espero que estejas de bom-humor; se não estiveres, que minhas pobres frases te presenteiem com, pelo menos, um sorrisinho amarelado.
Eu te amo. Mas não deixes que estas três palavras, tão assustadoras quando juntas, façam-te abandonar a leitura desta carta. Sei que amores não vêm prontos e não conservo qualquer esperança de que sintas por mim o mesmo tipo de afeição.
Acontece que, recolhida na platonicidade de meu sentimento, permiti que diversas fantasias românticas sobre você e eu inundasem minha mente. Já não posso admirá-lo sem que eu me martirize interiormente. Revolto-me com a postura passiva que assumo em relação a esse amor e chego a me julgar o mais covarde dos seres humanos por não falar contigo nem mesmo em datas importantes, como o teu aniversário.
Tais fantasias me fizeram ver quão possível é o nosso relacionamento. Fantasiar e não executar meus planos românticos faz com que eu me sinta covarde. Por isso te escrevo. Saber que sabes sobre o que sinto mata a platonicidade, sufocando, pois, o amor. De qualquer forma, o vizinho não é o melhor alvo para um sentimento tão egoísta e secreto. Talvez deixando de te amar eu possa, enfim, te conhecer.
Se chegaste a esta parte, agradeço-te pois leste quase toda a carta. Só resta dizer que, caso tu queiras ser o meu namorado, finjas que jamais tocaste este papel ou sentiste algo por mim.
Cumprimentemo-nos e nos façamos amigos, pois o amor platônico para um relacionamento é nada, meu bem.

Carinhosamente,
Tua vizinha

0 comentários:

Postar um comentário

 
temas blogspot - mario jogos