quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O cânone, terceira parte

Passo os olhos e vejo formiguinhas coladas no papel.
Pedras, o sertão de João Cabral de Melo Neto
A pátria de Vinicius, que é pátria minha também
A cidade de Gullar fundada em 1612 e suas coisas azuis
Fechos os olhos e nos vejo.
Vejo minhas pernas sobre suas pernas e nossas palavras se entrelaçando no ar interpretando os poemas que lemos. Interpretando. Todo esse amor nós não vivemos: interpretamos.
Os seus olhos brilham mas sou eu que choro.
Abro meus olhos e não te vejo.
Você não está, você nunca está, você nunca esteve.
Uma caneta, urgentemente. Antes que a imagem saia da minha mente.
Escrevo.
Baixo meus olhos, vejo seus pés e eles não vêm em minha direção.

domingo, 7 de agosto de 2011

Imagine você e eu

Eu sou a salvação da tua lavoura
Você pra mim é banho de salmoura
Você é truco e eu sou a manilha
Você é trenó e eu sou a matilha
Você é chuva e eu sou o mendigo
Eu sou o piercing, você é umbigo
Você é 7 pragas e eu, Egito
Eu sou África você é navio negreiro
Você é Grécia, eu sou filosofia
Eu sou Calvino, você é a burguesia
Você é trans, eu sou a cirurgia
Eu sou um urso e você é mel
Eu sou um ímã, você é papel
Eu sou a mão, você é água viva
Eu sou trilho, você é locomotiva
Eu sou xarope, você é veneno
Você é raiva, eu sou o palavrão
Eu sou ciúme, você é paixão
Você é a camisa, eu sou o botão
Você é careca e eu sou o chapéu
Eu sou criança, você é carrossel
Eu sou um ponto de exclamação
Você é sinal de interrogação
Eu sou metrô, você é Salvador
Você é rei e eu sou a coroa
Você é D. João, eu sou Lisboa
Eu sou Brasil, você é Carlota Joaquina
Eu sou janela, você é a cortina
Você é a chave, eu sou o cadeado
Eu sou o nó, você é o cadarço
Você é cintura, eu sou o abraço
Eu sou a cura da sua doença
Você é a dor da minha cabeça
Eu sou a Terra, você é efeito estufa
Você é quermesse, eu sou bandeirola
Você é quebrado, eu sou a cola
Você é azeitona, eu sou a tampa
Você é montanha, eu sou o alpinista
Eu sou a luva, você é pugilista
Você é cabelo, eu sou a tesoura
Eu sou Sansão, você é Dalila
Você é eletrólise, eu sou pilha
Eu sou seu caminho de salvação
Você é o atalho pra minha perdição
Você é o cigarro e eu sou o pulmão
Você é jejum na hora do desjejum

E eu só sei que me amar não te faria mal algum
 
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