quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O cânone, terceira parte

Passo os olhos e vejo formiguinhas coladas no papel.
Pedras, o sertão de João Cabral de Melo Neto
A pátria de Vinicius, que é pátria minha também
A cidade de Gullar fundada em 1612 e suas coisas azuis
Fechos os olhos e nos vejo.
Vejo minhas pernas sobre suas pernas e nossas palavras se entrelaçando no ar interpretando os poemas que lemos. Interpretando. Todo esse amor nós não vivemos: interpretamos.
Os seus olhos brilham mas sou eu que choro.
Abro meus olhos e não te vejo.
Você não está, você nunca está, você nunca esteve.
Uma caneta, urgentemente. Antes que a imagem saia da minha mente.
Escrevo.
Baixo meus olhos, vejo seus pés e eles não vêm em minha direção.

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