terça-feira, 27 de setembro de 2011

Panos e pedras

Eu gosto de alfarrábios
E gosto de neologismos
Sou uma neolexicista, sou uma tecelã
Caso morfemas, invento
Mas você não se impressiona
Você gosta de palavras, só não gosta de mim

Vou abrir um dicionário e mergulhar em seus vocábulos
Escolher o mais lindo, pensar em você
Vou ser ourives, vou polir uma jóia de antiquário
E vou lhe presentear com seu significado

Você vai guardar meu termo
Não na estante para que vejam
No armário para esquecer
E um dia um alguém qualquer – ourives nem tecelão
Vai abrir seu armário, ver meu presente e se apaixonar
Não é preciso muita sensibilidade pra admirar uma jóia

E você vai entregá-la como se não importasse
Depois ele vai lhe dar um presente também
Você vai guardar
Talvez até na estante
Qualquer presente te leva pra longe de mim

Mas nada me importa mais que uma jóia ou um tecido
Toda vez que você vai, eu te perco para sempre
Mas o sempre sempre volta
E eu te perco novamente
Meu amor é diferente, eu nem sei te explicar
Quando a gente se encontra
Ele vai se camuflar
Eu encontro mil desculpas, mil defeitos em você
Mas se você vai embora
Ele torna a aparecer
E depois de todo esse tempo
A gente se olha sem se ver
E, se se vê, não se enxerga
Eu, que morria de amores por você
Passo por seus olhos, vejo como cega
E você, que deixou escapar o momento
No meu pensamento agora não mora
Seu sentimento veio tarde demais
Hoje, em muda concordância
A gente se ignora
 
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