Eu gosto de alfarrábios
E gosto de neologismos
Sou uma neolexicista, sou uma tecelã
Caso morfemas, invento
Mas você não se impressiona
Você gosta de palavras, só não gosta de mim
Vou abrir um dicionário e mergulhar em seus vocábulos
Escolher o mais lindo, pensar em você
Vou ser ourives, vou polir uma jóia de antiquário
E vou lhe presentear com seu significado
Você vai guardar meu termo
Não na estante para que vejam
No armário para esquecer
E um dia um alguém qualquer – ourives nem tecelão
Vai abrir seu armário, ver meu presente e se apaixonar
Não é preciso muita sensibilidade pra admirar uma jóia
E você vai entregá-la como se não importasse
Depois ele vai lhe dar um presente também
Você vai guardar
Talvez até na estante
Qualquer presente te leva pra longe de mim
Mas nada me importa mais que uma jóia ou um tecido

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