segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Repleta

Não quero ver ninguém: estou cheia de poesia
Por cheia digo inteira, repleta, não-vazia
Às vezes escrevo Lauro e leio louco
Vivo encontrando rimas, mas me esforço tão pouco
As mágoas expulsam poemas do meu coração
E eu escrevo sem pausa, sem correção, sem pudor, sem pontuação, sem raiva, sem compaixão, sem medo, sem emoção, sem tempo, sem ocasião, sem métrica, sem paixão, sem destino, sem vocação, sem remetente, sem direção
Cuspo e vomito a poesia do momento
Mesmo sem ter sentido nenhum sentimento

Poentes

O sol que pinta meus cabelos e alaranjeia a minha vida sempre tão cinzenta
Consigo vê-lo, por pouco não posso encará-lo. Meus olhos já não ardem quando olho de soslaio.
Mas vendo esta folha e a caneta que escrevo, minhas unhas cor-de-rosa nos meus dedos dois anéis
E meus cabelos ventando na minha cara. Brilham ouro cobre. Nada brilha mais que este momento
O sol sumindo por detrás de um telhado tão laranja quanto eu e o gosto de meus lábios
Encaro, serena, minhas verdades. O sol vai se afastando mas eu já estou dourada, iluminada, mais por dentro que por fora. Comigo carrego sem mágoas meus erros: as consequências de mim
Antes erros que erres de arrependimento. Laranjas são meus defeitos poentes dentro de mim.

Este sol

Este sol às seis horas da tarde
Na verdade, já passa das seis e meia
Eles mudaram o relógio
Se não tivessem mudado ainda não seria seis
Eu não estaria atrasada
Se essa hora não me houvesse sido roubada, eu chegaria a tempo
Quem sabe até visse quem eu quis ver
Como a placa do carro disse:

Zero zero, hoje verei quem eu quero
Mas eu não vi ninguém
Hoje estou até muito bonita e ninguém viu

O ano ainda tem oito dias, esse mês demorar de passar
Mas não há problema, é verão
No verão não há problemas
O sol de agora parece mais vento que sol
É um sol de noite e me acaricia as pernas

É amor que não arde
Mas também não dura
Nem sei se é amor

Esta data, esta mágoa, este sol
Meu coração está repleto
Talvez alguém desconfie mas ninguém vai saber
Eu mesma não vou lembrar
Rimar fim com mim
não está com nada
Quero ver rimar queijo e goiabada

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Defeitos

Ele disse que alguém anda fazendo poesia
pra menina, pra vê-la sorrir
Eu acredito que a poesia é a melhor forma de ganhar o dia
ou um coração

Só não acho justo que o sol brilhe lá fora
e a menina ganhe poesias de quem ignora todos os seus defeitos

À primeira vista toda mulher é perfeita
Sem dor ou expectativa, sem frustrações

Quero ver fazer poema das espinhas na cara, da depilação mal feita, da pele descascada

Quero ver sol majestoso me acordando às cinco horas
Asas da imaginação numa fantasia erótica

Quero ver alguém dizer
"quero te comer, meu bem"
A poesia do dia a dia não faz mal a ninguém

Dentro de mim

Você é como um poema que há anos me habita.
É uma poesia que nem precisa ser escrita.
Cochilei nas palavras de alguém mas acordei no silêncio e o vazio na barriga. Meus braços tremiam e eu sabia que mal conseguiria segurar um lápis. Sentei no escuro, rolei na cama, dei cambalhotas com a mente vazia mas abri os olhos e lembrei de você. Como você é lindo! Você é tão verdadeiro e a sua verdade me toca em cheio, faz parte de mim. Acho tão bonito que você entregue os defeitos que muitos esconderiam, a sua franqueza e sua falta de "malas intenciones", não foram o que te trouxeram, mas o que te prenderam na minha vida. Agora, com a luz acesa deixo as palavras escorrerem da caneta segura em minha mão pelo papel fino desse caderno que eu comprei em sua companhia. Mentalmente te desenho no futuro que vou imaginando, e onde teço alegria vou te bordando pois te quero costurado em mim.
Eu não acredito em amor à primeira vista ou amor eterno, apesar de meus pais se amarem pra sempre desde o primeiro olhar. O engraçado é que eu te amo. Desde a primeira vez que te vi, eu já sabia. Eu não quero que você saia da minha vida porque não vai sair do meu coração. E eu sinto que, de alguma forma, agora eu garanto.
Eu sei que é amor pela dor de facada que eu sinto nas costas toda vez que te vejo, que me faz empertigar toda na cadeira, na poltrona, no sofá, ou no chão gelado da sala onde eu sento e deito e rolo na poeira com a mente voando toda atravessada por lembranças suas, pensamentos meus sobre besteiras entre nós dois.
 
temas blogspot - mario jogos