Dois talvez, talvez três
Até três ela contaria
Quando sentiu aqueles olhos verdes em seus enormes olhos despreparados
E no 'dois' ele queimou a largada, queimou de timidez as bochechas da mocinha, ferveu a corrente sanguínea, cozinhou os órgãos dentro do corpo conhecido e nunca antes habitado
Ela quis que fosse em maio
Mas em maio não há flores
A primavera chega tarde nas casas em que o telhado é a linha do Equador
E chega devorando os dias, aflorando carências e desflorando as almas: exibindo as lacunas de afeto preenchidas com flores de plástico
Ela quis que fosse em setembro
Setembro chove? Chove em abril
Abriu a boca, os braços e pernas
Fechou os olhos
E arfava pois não podia florir

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