terça-feira, 5 de junho de 2012

Contecido de telefonema perturbador de lembrada ferida

I

Alô, eu reconheci a voz mas não quis dizer seu nome que eu rabisquei da agenda por pura dó de rasgar. Como a vida tá, você perguntou. A vida té boa mas anda vazia. Deu foi alegria maginar sua vida parada que nem que a minha. Eu me empaquei nas lembrança do que fomo, apaixonada no que teria sido. Hoje em dia sinto falta té do seus grito. Quando dava errado tudo e você me olhava como que sabendo a culpa que eu nem tinha mas sem saber sua a culpa que não era minha.

II

Um dia frio e feio, bolo de fubá no fogo. Da chuva cê chegou molhado, pisou barro no tapete de minha mãe. Eu corri a lavar que sem isso nós já não tinha agrado lá em casa, magina se nós se estraga um tapete. Sabia que cê tem os olho mais bonito que eu já vi, jura, juro. Sempre eu queria que cê jurava, sempre cê jurou. Chegou painho, mainha, os mano. O sol sumiu foi logo assim que eu pus a mesa. No que a fumaça do bolo subia ia parecendo mais que tudo era feliz e as gente até se gostava. Cê proveitou que eu cortava cortadinho os teco de bolo e foi dizer pra painho o que eu já sabia mas fiz de conta que nem tava ouvindo. Ô gostaria co senhor desse as mão da filha do senhor pra eu. Os moleque, cara feia de cinhume de irmão. Mainha não fez que sim nem fez que não. Painho perguntou, ocês se gosta. Nós disse que sim, pai não reclamou. Foi no portão que eu perguntei, gostou do bolo. De resposta, nunca comi bolo tão bom. Cê disse que era fome e eu chamava de amor.

III

Cê me levou um dia na vila qui perto dizendo conhecia o povo todim. Disse bastarde pra gente da pracinha mas pra casa dos parente não certava o caminho. Vamo voltar, eu disse. Da tarde já era o fim e o sol adeus. A passagem pra casa sua tia ia dar pra nós depois do café. Pois. Não tinha casa mas tinha fome. Cansaço não enche barriga vazia. Nem dava pra comer o que tinha porque só o que tinha era não ter nada. Eu rezava rezando baixinho colhidinha no banquinho. Mulher minha não drome ne banco de praça. Causo que eu nem era mulher sua, e painho matava os dois se o sol entrava em casa antes que nós. O caminho era mais comprido que breu. Eu danei a chorar e cê me gritava, deixe de esperneio. A sandalinha me rebentou os pé de tanto andar.

IV

Hoje em dia sinto falta té do seus grito. E se a gente tivesse junto ein, quase falei. E o vestido de noiva, cê queria saber. Perguntou onde ele tava, perguntou se comprei onde, perguntou pra me contar que você ia se casar. Eu disse que nem sabia depois fiz que me alembrava e disse da costureira se cê quisesse outro ou igual. Eu quero ingualzim, cê falou malvado. E mais mau ainda me disse da noiva, que se chamava sei como e trabalhava sei onde e era filha de sei quem. Menti bolo no fogo e deliguei telefone. Chorei tal e qual trovoada nas bochecha e no queixo. Cuspi beijo por beijo, fiz que me sufocava, gasguei com o desgosto maior que cê me deu. Palma no portão, meu noivo chegava. Fingi doença, pedi dele pra me ver depois damanhã. Ele creditou na minha cara sofrida e de bicicretinha voltou donde veio.

V

Daquela mulher eu alembro. Uns olho morto de fome, pede buquê já no dia da janta de noivado. Dois cambitinho de perna, um traseiro enorme assim. Meu vestido não dá nela, por que cê ligou pra mim. Me fazer de bestalhada, por quê. Cê nem sabe que nos afago de meu marido vou sempre procurar seus calo. Esfregar na minha cara que trocou vida comigo por vida com umazinha que nem remenda os vestido, que nem faz bolo nem pão, que nem o nome escreve. Ela bem que podia não se aparecer na igreja que nem que cê fez, se lembra.

1 comentários:

Matheus Marques disse...

muito. muito. muuuuuuuuuuuuuuuito bom MESMO! você escreve feito escritora que já lançou uns 10 livros e ganhou prêmio etc etc e tal. fico besta, velho. beijo sua mão.

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