sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Arboriz

Há muito tempo, em um reino chamado Arboriz, existiam inúmeras criaturas mágicas. Eram seres bípedes e verdinhos, amáveis como uma mãe.
Todos os dias pela manhã eles dançavam sobre a terra arremessando sementes; depois de um tempo as sementes lhes eram devolvidas em forma de filhotes, verdinhos como eles. À noite eles ficavam presos ao solo, recarregando as energias enquanto o nutriam.
Certo dia, um grupo de seres marrons e enormes chegaram voando a Arboriz. Eles conquistaram a confiança do povo do reino e se instalaram na região, mas à noite sequestravam os bebês verdinhos para se alimentaram de seu sangue. Ao perceber que também absorviam energia do sangue adulto, passaram a destruir todas as criaturas.
Os seres mágicos não podiam fugir e não conseguiam procriar. Fracos e tristes já não tinham energia suficiente para trocar com o solo, que também sofria e foi morrendo aos poucos. Os monstros marrons não tinham mais o que destruir e nem outro reino para onde fugir.
Apenas quando a última criatura mágica morreu foi que os estrangeiros se deram conta de que se nutriam da energia da terra que eles haviam destruído, e não do sangue do povo. Com o solo desnutrido, nem comendo toda a terra de Arboriz eles teriam a mesma energia proveniente da dança e da harmonia existente no antigo reino. Acabaram por matar uns aos outros e tudo se acabou.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Na cabana

Que bom seria se eu pudesse
Viver pra sempre por aqui
Sozinha ou com você

Digo sozinha pois, se você não me quisesse
Preferiria estar sem companhia
A te esquecer

Why don't you fall?

Why don't you fall in love?
Why don't you fall?
Why don't you lose your mind?
Why don't you fall?
Why do you get so down
Every time you are left?


What do you think about?
Why don't you marry me?

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Fotografias - Lion






O mais tímido e mais meigo dos meus.

A alguém que se despede

Passei a noite dobrando todas as minhas roupas. Cada dobrar, cada desamassar, cada alisar representava muito. Queria poder disfarçar os meus defeitos e sair desse deplorável estado como faço com as roupas.
Abri o armário e achei o casaco. Ela me perguntou se eu estava usando, mas o que importa? É dela e vou devolvê-lo. Dobrei-o como se dobrasse minha própria amiga. Como se fosse possível dobrá-la e consertá-la. Não é.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Poema - Predileção polar

Me empresta seu coração, morena
Enquanto ao seu lado eu puder caminhar
E eu te prometo adivinhar
Se você gosta do mar
A fome do seu paladar
Em que zona climática quer se casar
Prefere a que neva?
Aqui não neva
Me leva contigo para o teu lugar

Poema - A travessia e o trovão

As tranças da pequenina
Torcidos fios de cabelo
Tricotadas mechas ruivas
Atravessando o picadeiro
Tombavam pelo seu rosto
Sendo afastadas ligeiro

E desde a trupe circense
Até o moço cabreiro
Acompanhavam a travessia
Como visse o amor primeiro
Olhos trôpegos de lágrimas
Transbordando o aguaceiro

Era tão cheia de graça
Que até o pipoqueiro
Lhe daria todos os doces
(Se) não carecesse dinheiro

O trovejar invejoso
Risca o céu de fevereiro
A pequena ruiva corre
Tomada de desespero

Senta na cadeira ao lado
E eu posso sentir seu cheiro
O susto é transformado
Num sorriso verdadeiro
A pequena encanta mais
Que o espetáculo inteiro

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Fotografias - Detalhes do rosto





Poema - Branca culpa branca

Carrego a culpa dos grandes navios
No tom apático do meu círculo cromático

Não sou pobre, não sou negra
Não sou nada
Sou a dúvida da minha identidade
Sou cachos em pele alva
Sou íris azul em negras pálpebras
Sou melanina em carnes claras

Sou Brasil e também quero lutar
Contra a ditadura da brancura secular

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Fraude

Hoje pensei: O que eu vou escrever no blog? Não tenho nenhum texto pronto, nem estou animada pra ir buscar algum caderno velho dentro do armário. Não aconteceu nada especial, não estou em um dos meus melhores momentos e não quero colocar mais fotos. Ultimamente, tenho postado fotos por não ter paciência pra falar.
Comentei isso com um amigo (um dos melhores) e ele disse: Escreva sobre mim. Pensei: Não posso escrever sobre ele, eu não saberia fazer isso. Acabaria me confundindo e repetindo idéias, ou falando com emoção demais. Tudo o que eu escrevo são águas passadas, são momentos que vivi, sentimentos que tive, tudo em um pretérito mal conjugado.
Então, é isso? Não sei escrever sobre coisas reais, não coloco emoção nos meus textos literários. Sou uma farsa, sou uma fraude. Uma mulher escrevendo poemas sobre a vida, com uma preocupação estética e uma objetividade impróprias de quem escreve sobre si. Tenho passado os últimos anos vivendo apenas o que eu posso controlar, e no início eu até gostava da minha verdade inventada. Eu gosto de estar no comando e, direcionando os sentimentos com cuidado eu conseguia aproveitar as nuances de prazer e dor com total lucidez. Mas hoje eu já não sei se os sentimentos são tão bons como os escrevo.
Esse amigo que eu comentei é um dos pivôs pra minha atual fase blue. Claro que a culpa é minha, eu assumo a responsabilidade de estar sentada com a cabeça entre as mãos chorando numa esquina da vida (odeio ser piegas). Mas a falta da companhia dele e da minha antiga rotina fazem com que eu me sinta perdida. Como se eu tivesse sido arrancada da minha natureza pra uma mudança forçada, uma mudança pra pior.
Contudo, eu me conheço e sei que não me sentirei preparada pra escrever sobre isso até que os sentimentos ruins vão embora. Então, não proponho uma radical reviravolta no modo de encarar a vida. Proponho apenas dar uma chance aos sentimentos reais que nascem sem que nos pareça conveniente. Não serei mais uma romântica, mas não preciso ser perfeitamente correta.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Enquanto eu estava na casa da minha avó, em Apucarana-PR, fez muito calor e o Sol estava bem forte. E olhe que isso é a opinião de uma baiana, acostumada com o clima fervente do litoral. Acontece que um dia eu acordei cedo e, morrendo de frio, fui pra varanda procurar meu pai e meus tios. Não resisti à necessidade de registrar uma das coisas que não tem em Salvador e eu acho realmente incrível. Então, essa é uma postagem apenas para comparar as duas imagens de um ângulo da vista da varanda da minha avó. A primeira, no meio da tarde. A segunda, bem cedinho, com neblina.






sábado, 6 de fevereiro de 2010

Nostalgia

Lembro que, quando éramos bem crianças, uma amiga minha e eu brincávamos de pipa. Mas não sabíamos empinar pipa, era assim: amarrávamos um fio longo à qualquer pedaço de papel ou plástico plano e leve. Eu segurava a corda e saía correndo e ela ia atrás, jogando o objeto pro ar e não deixando cair no chão. Não sei o porquê mas era sempre assim, e fico me perguntando quem se divertia mais: eu, que estava no comando, ou ela, que via nossa "pipa" dançar no ar.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Fotos de insetos
















quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Fotografias







Prometo fazer um curso e melhorar a situação aqui rs

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Felicitações de aniversário

Tomara que seu tomara-que-caia não caia
E saia, mas não saia de saia curta
Curta a vida e não discuta à toa
Pois a vida é muito curta. E boa.
Consiga seguir seu rumo
Arrume o melhor futuro
Rumo à felicidade.
Persiga, persista, insista
Não desista que você conquista.
Conte comigo e hasta la vista!

Dalila

Maquiada não parece gente normal
Brilha como uma deusa, age como animal
Viajou pra praia pra se divertir
E se apaixonou pela gente daqui
Dá só mais um beijo pra se despedir
A viagem louca já chega ao fim
Sente falta do calor sensacional
Deixa na Bahia gripe de Carnaval

Primeira produção em sala de aula de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Freada brusca

O relógio marcava quase 18 horas e o céu, tingido de rosa, escurecia numa velocidade assustadora. As luzes da cidade aos poucos davam o ar de sua graça, procuravam colorir novamente as ruas e calçadas mas conseguiram apenas transformar o bairro em algo parecido com um breu cheio de vagalumes. Elas iluminavam aqui e ali, porém não de uma forma viva e brilhante. Eram apenas apenas luzes melancólicas sobre pontos de sombra densa.
Pelo retrovisor, Helena via muitos e não via nada. Inúmeros carros transportando o cansaço, as preocupações e os planos da cabeça de seus donos. Donos que não tratavam os automóveis com o merecido respeito, já que buzinavam e gritavam uns com os outros, faziam manobras perigosas arriscando a pele dos veículos e, por vezes, precisavam que um outro carro ou um poste entrasse em seu caminho para frear tamanha agitação.
O rádio tocou uma canção de amor. Helena mal podia acreditar em seus ouvidos; a tal música não tocava há meses e isso era ótimo pois as lembranças que ela trazia perturbavam a sua paz. Ela procurou com urgência o botão que calaria aquela voz, mas de nada adiantou pois a voz continuava em sua cabeça. Junto à ela uma confusão de imagens atormentavam Helena; lanches ao meio-dia, jantares à luz de velas, milhões de telefonemas, beijos de novela no cinema.
Aos poucos, lágrimas pesadas começaram a passear pelo rosto de Helena embaçando-lhe a visão. Lembrar do fim de seu noivado deixava-a extremamente abalada. Seu coração diparou e a cabeça começou a doer. Gotas de chuva se misturavam às lágrimas na missão de confundir seus olhos e Helena via muitas luzes piscando molhadas pra lá e pra cá.
Os carros eram levados de um lado para o outro por seus donos, às vezes paravam e às vezes não dava tempo. Cruzavam, ultrapassavam, pisavam fundo no acelerador. Helena sentiu os olhos pesados e o amarelo lhe soou como verde, mas em um instante já era vermelho. Vermelho como o veículo que veio apressado beijar seu rosto. Assustada, ela olhou para o lado e viu dois olhos cheios de desespero.
Helena e o outro carro se encontraram e dançaram juntos rodopiando no ar. A buzina calou de vez a voz da música e o automóvel vermelho veio lhe frear a vida.
 
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