Hoje pensei: O que eu vou escrever no blog? Não tenho nenhum texto pronto, nem estou animada pra ir buscar algum caderno velho dentro do armário. Não aconteceu nada especial, não estou em um dos meus melhores momentos e não quero colocar mais fotos. Ultimamente, tenho postado fotos por não ter paciência pra falar.
Comentei isso com um amigo (um dos melhores) e ele disse: Escreva sobre mim. Pensei: Não posso escrever sobre ele, eu não saberia fazer isso. Acabaria me confundindo e repetindo idéias, ou falando com emoção demais. Tudo o que eu escrevo são águas passadas, são momentos que vivi, sentimentos que tive, tudo em um pretérito mal conjugado.
Então, é isso? Não sei escrever sobre coisas reais, não coloco emoção nos meus textos literários. Sou uma farsa, sou uma fraude. Uma mulher escrevendo poemas sobre a vida, com uma preocupação estética e uma objetividade impróprias de quem escreve sobre si. Tenho passado os últimos anos vivendo apenas o que eu posso controlar, e no início eu até gostava da minha verdade inventada. Eu gosto de estar no comando e, direcionando os sentimentos com cuidado eu conseguia aproveitar as nuances de prazer e dor com total lucidez. Mas hoje eu já não sei se os sentimentos são tão bons como os escrevo.
Esse amigo que eu comentei é um dos pivôs pra minha atual fase blue. Claro que a culpa é minha, eu assumo a responsabilidade de estar sentada com a cabeça entre as mãos chorando numa esquina da vida (odeio ser piegas). Mas a falta da companhia dele e da minha antiga rotina fazem com que eu me sinta perdida. Como se eu tivesse sido arrancada da minha natureza pra uma mudança forçada, uma mudança pra pior.
Contudo, eu me conheço e sei que não me sentirei preparada pra escrever sobre isso até que os sentimentos ruins vão embora. Então, não proponho uma radical reviravolta no modo de encarar a vida. Proponho apenas dar uma chance aos sentimentos reais que nascem sem que nos pareça conveniente. Não serei mais uma romântica, mas não preciso ser perfeitamente correta.

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