Eu queria ainda sentir, mas não sei mais. Acho que tudo vira ternura. Acabou, não acabou, nunca nada houve. Agora fica essa sede sem saliva, sem limite, sem sossego. Como se a única água que eu conhecesse fosse água do mar. Por medo, por orgulho, ou sei lá por que, eu nunca tive coragem de procurar a água de coco. Subir no pé, pegar a fruta, chegar ao líquido doce com meu esforço. Não. Preferi ficar na espera de que alguém me trouxesse um copo. O tempo passou com cara de choro, com cheiro de chuva. Eu sequei, não sei como, o coco secou. E as águas de março não prometem vida nenhuma.

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