quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

você não me ama não me quer nunca quis como posso ser feliz enquanto outros braços te envolvem enquanto palavras de tantos alguéns desimportantes valem mais que meus carinhos você não me merece e nem pretendia eu não sei como vai ser agora se a vida nos afasta e a gente colabora você não se interessa por nada que eu digo você não esperaria um minuto por mim eu sempre achei pouco o que você me dava mas agora é nada lama poeira e pó é pouco é menos é nada você não me ama mas eu lembro tanto de você ter dito que me amava só essa lembrança já me alegrava hoje nada é real nada é verdade você não me ama e eu repito isso para que você veja e diga que estou errada
Ele disse que me ama
Disse que me amava

Ele nem me abraça mais

Talvez eu exagere
Ando boba e fraca
Mas creio que ele seja incapaz de me amar
Ele não me ama, ele não me ama
Minha voz me repete, me tortura e mata
Ele bate a porta e some por dias
Ele traz pra casa um colar de esmeralda
Ele diz que a comida está ruim
Mas limpa o prato ainda assim. E arrota.

Ele não me ama, ele não me ama
Minha voz me alerta e me apavora
Ele sorri para todas as visitas
Ele vê meu riso e me ignora
Mas ele percebe minhas tentativas
Insisto em ser a mulher que ele nunca quis

Ele não entende quando eu choro
Vou fingir todos os dias que sou feliz

Ame me ame

Não me desame
Não me desalme
Não me desarme
Não me alarme
Não me alerte

Me aperte
Não me aparte
Não me afaste de você

Não me desalente
Não desatente de me amar

E me deseje: uma boa sorte
Me deseje a morte
Mas me deseje

Me deseje agora
Me deseja já
Me deseje na sua mesa de jantar

Deseje me amar

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Frio e feio dia

Os carros que passam
As moças que passam
A vida que passa ligeira

O rapaz sentado no banco fala como se quisesse marcar território com as ondas sonoras de sua voz
Como há apenas moças nos bancos - e uma mesmo ao seu lado -
a voz viaja no ar como braços segurando tudo e dizendo "é meu"

Dessa forma, a mulher lendo o livro,
as moçoilas de sombrinha,
as flores vermelhas,
as pedras da calçada,
somos todas obrigadas a ouvir as baboseiras que ele diz para prender a atenção da mocinha com quem divide o banco
Eles riem, ela fala também. E ele pode, enfim, baixar a voz.

Toc toc toc toc - "toc" faz o sapatinho da loirinha apressada que vai enfrentar a chuva que me prende aqui.
Um choro calmo e lento
As lágrimas escorrendo
E a mágoa não sai toda de uma vez só

Amoração

Casei de branco e adotei três filhos:
cada um com um nome, um signo e uma cor.

Ernesto, amarelo, de olhinhos puxados,
foi morar com outro ariano que era seu namorado.

Valentina, negra, signo de libra,
foi dançar nos palcos de um país gelado.

Alfredo, branco e sardento, moço leonino,
casou com uma moça que já foi menino.

Quando nosso último filho bateu a porta e não voltou
Foi então, meu querido, que você me adotou
Queria ser cada pessoa que passa por sua rua. A mãe de família com uma saia rosa e duas sacolas de mercado nas mãos, o cachorro abandonado que já foi branco e hoje é marrom, o cara de camisa verde com as alças da mochila marcadas de suor nos ombros. Talvez você me amasse em um desses corpos que passam por aí. E quando a mulher entrasse em casa, o cachorro saísse correndo e o cara dobrasse a esquina, eu seria outro alguém pra passar minha vida debaixo de sua janela.

Amargo

O gosto amargo do suco de limão que você fez antes de ir embora e eu tomei com chumbinho pra virar um ratinho caída no chão da cozinha com a cara virada e os olhos abertos vendo debaixo da geladeira toda aquela sujeira que estragou nosso amor.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Sambarregue

Depois de anos de serviços prestados, meu coração tá aposentado. Foi tanta mágoa que carreguei, meu amor, achei que estava quitado com a dor.
Meu sofrimento é financiado, tenho que gastar a aposentadoria. Mas, de sentimento, ganho mixaria e pago à vida sofrendo calado.
 
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