Os carros que passam
As moças que passam
A vida que passa ligeira
O rapaz sentado no banco fala como se quisesse marcar território com as ondas sonoras de sua voz
Como há apenas moças nos bancos - e uma mesmo ao seu lado -
a voz viaja no ar como braços segurando tudo e dizendo "é meu"
Dessa forma, a mulher lendo o livro,
as moçoilas de sombrinha,
as flores vermelhas,
as pedras da calçada,
somos todas obrigadas a ouvir as baboseiras que ele diz para prender a atenção da mocinha com quem divide o banco
Eles riem, ela fala também. E ele pode, enfim, baixar a voz.
Toc toc toc toc - "toc" faz o sapatinho da loirinha apressada que vai enfrentar a chuva que me prende aqui.

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