E o povo agora vive assim. Fazendo da via de mão dupla uma via de mão nenhuma em que a pista é coberta por carros sem gasolina parados numa sinaleira por onde ninguém vai atravessar. Esses beijos na boca de um alguém que não se sabe. Que nem dar tapa na cara de um manequim de vitrine, a mão que bate é só o que dói. Mas isso ela não tinha nunca feito. Ele, vai saber... Vai ver até tinha. Mas ela não. Na hora ali ela achou que era normal e voou os beiços pro abraço dos dele. E ficou ali pousada, uma boca no colo da outra. Ela afastou um punhado e ele apressou a mão num encontro com a nuca dela, acomodando o bocado de dedos naqueles fios de cabelo. Mas a menina queria que queria abraçar o olhar nos olhos dele e se riu soltando o laço de dedos e nuca e cabelos e mão e fios e bocado. Foi como parar de rir pra tirar uma foto do riso. Como esquecer que mesmo no somar do tanto de foto que já fizeram não cabe a luz toda da lua. E foi no desatar do beijo que a menina tatuou a presença dele no sentimento dela. E no abrir de olhos e separar de corpos - andando de frente um pro outro, cada um pra sua trás, sorriram do que aconteceu e do que teria sido se o beijo não fosse cópia de cópia de cópia, imitação de amor.
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