A maioria das pessoas acredita que o amor é um sentimento. Muitas vezes tentamos explicá-lo, personificá-lo, falamos dele como se houvesse um tipo de fórmula para o tão almejado amor verdadeiro. Como consequência temos milhões de músicas, poemas e livros de auto-ajuda.
É lógico que a primeira palavra que vem em nossa mente ao ver aquela representação gráfica bonitinha de um coração é: amor. Mas coração não é amor, não é nem mesmo um coração de verdade. Amor é abstrato e exatamente por isso temos tantas obras, concepções e pensamentos sobre ele. Querem decodificar o amor. Mas, de que adianta racionalizar se ninguém quer tirar o véu de fantasia que faz com que ele seja tão almejado quanto desconhecido?
A mídia quer vender amor. Então preparam sua fórmula e começam a oferecer. Nós já conhecemos isso tudo. A mocinha gosta do mocinho, então é adicionado um vilãozinho, acontecem milhões de situações mirabolantes e, lógico, no final os "bonzinhos" ficam juntos. Eles choram, brigam mas todos nós sabemos o que vai acontecer. A fórmula mágica do amor ideal que vem pronto e sem defeitos de fábrica está lá para eles. E no último capítulo temos metade das personagens grávidas, casando ou com bebês no colo. O amor é isso? Passar um ano brigando e, depois de um mês de ares de casal 20, se casar e tratar de arrumar logo os filhos.
O amor vem sendo retratado de forma muito errada. Ou é proibido ou é banal. Não existe meio-termo nem realidade. É preciso deixar claro que, não existem namoros inabaláveis, mas as coisas não devem se resumir a um lapso de carência numa noite qualquer.
Precisamos cultivar a vontade de amor. Encarar amor e sexo sem preconceitos e sem ilusões. A maturidade emocional vem aos poucos, mas é importante que ela chegue. Se continuarmos a vender o amor como num açougue, aos pedaços, separando beleza, sentimento e razão, podemos perder a vontade de amar. O amor não é só um sentimento, um momento, uma sensação; amor é decisão.