Meu amigo,
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Não vá embora. Ainda não ganhei de você em nossos jogos de cartas e nem nos escondemos atrás dos muros verdes da casa da nova vizinha. Não terminamos de compor a nossa canção e não escolhemos os músicos de nossa festa de casamento; você bem sabe que já o amo, portanto não vá.
Não acredito que encontre no melhor dos reinos maior amor do que este que guardo pra ti. Nem haverá entre todas as almas alguém como eu para apoiá-lo em suas tribulações e não deixar de admirá-lo apesar dos medos, das dúvidas e da culpa que por vezes poderá invadir a paz de seu coração.
Não vou pedir que me leve caso você realmente saia dessa estrada. Talvez em alguma encruzilhada possamos ficar mais próximos até que agora. Mas se decidir permanecer na nossa rua de terra batida podemos cobrir de ladrilhos a calçada de nosso futuro lar e, quando estiver tudo pronto por aqui partiremos pra outro lugar; para a mobília de uma casa ou a reforma de sua fachada.
Não planejaríamos filhos, mas um dia eles viriam. E quando tivessem alcançado a idade que temos agora, jurassem que o mundo é bem mais simples do que enxergamos e ainda não tivessem a vã certeza de que são donos da verdade absoluta, nós diriamos a eles que quando você ia subindo nas mais altas nuvens dos mais altos céus leu minha carta e voltou correndo para construir - pedrinha por pedrinha - uma história tão bonita e tão de amor que vive morta na boca fechada do sr. Tempo.
Não viveriamos para sempre. Mas o mundo nunca estaria deserto de nós, pois teríamos feito nossa parte e plantado nossa semente. Então, se quiser viver comigo na sorte de uma manhã de domingo por toda a sua curta vida sem glórias e honrarias, estarei esperando dentro de seu coração.
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Com amor,
Moon Lullaby

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