Era tanto amor que eu chegava a me sentir fraca, como se amá-lo fosse uma função do meu corpo que consumisse todas as minhas energias. Eu o amava tanto que sentia angústia. Uma angústia e um ciúme tão brutais e sem explicação, uma vontade de ser ele ou prendê-lo a mim. Queria que ele fosse um brinco, um pingente, um presente qualquer que ficasse preso ao meu corpo o tempo todo. Ele era um homem, diferente dos outros, mas ainda assim um homem. A qualquer momento, poderia me abandonar. Era tanto medo de que ele se afastasse que eu nem queria chegar perto. O abraço dele me apavorava por não ser eterno. Q
uando ele vinha ao meu encontro, eu preferiria ser suas meias a ser o destino de sua caminhada. Eu não queria ser sua namorada, queria ser suas unhas, suas sobrancelhas, suas hemácias, seu DNA. Não podia suportar que outras pessoas o vissem, o tocassem, falassem com ele. Queria que ele não fosse uma pessoa para que pudesse ser meu e somente meu. Um dia eu fui embora. Ele disse "Volta, amor!" e eu não voltei. Eu nunca expliquei o porquê, só sei que não volto. Mas ainda o amo.
0 comentários:
Postar um comentário