quarta-feira, 20 de julho de 2011

Você é meu vocativo. É o seu nome que está entre vírgulas quando reclamo, quando declamo minhas estrelas do Sermão da Sexagésima. Eu me declaro para uma plateia sem acento sem ideia sem acento. Fico esperando no silêncio o frio que nunca vem, ouço aplausos. Ninguém enxerga através dos meus olhos, nem o mais sábio dos homens entende por que o mar se esvazia toda vez que eu deixo escapar um sorriso quando te faço alvo dos meus olhares. Eu queria te dizer que tenho medo, mas já nem há onde se afogar e então eu fico a catar conchas. Há namoros que terminam e há namoros que nunca vêm. Há namoros que não existem. E tudo dói. Como é triste espremer da cabeça um poema quando não há nada no coração, coração já não há. Não posso te ver partir porque você não vem. E eu não vou dormir bem enquanto você não me quiser bem. Vou viver acordada, atenta, incomodada. Vivo a guardar beijos que não posso te dar. Pra você eu só tenho este punhado de estrelas repletas de angústia, ordenadas como num mosaico de azulejos, retalhos de sentimentos que eu alinhavei para você.

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